O sol nasce, e trás com ele a manhã. O que se faz entre isso e o nascer da noite é um próprio enigma, o ciclo de cada um. Entre esse fragmento, tem-se tanto para fazer. Tanto para aprender. Deixam-se pedaços de tempo a meio. Completam-se outros tantos. Outra parte, deixa-se para acabar num dia em que o sol decida nascer com mais brilho. Os restantes adiam-se, na promessa retomar um dia, em que a chuva impeça de sair de casa. E entre isso, um sem número circunstâncias e eventualidades caem aos nossos pés.
Os ouvidos gelam e não se escuta o essencial. Decide-se cobri-los quando a brisa passa ao seu redor. Deixa de se ouvir o que se sente, e deixa de se sentir o que se ouve. Usa-se como instrumento a voz, e diz-se que é o mais importante. Usa-se por tudo, por nada. Em demasia. O espaço está sempre cheio de voz, parece que já ninguém gosta do silêncio hoje em dia. E é no silêncio das palavras certas, que se sente a vida. Viaja-se deitado, sonha-se sentado. Mistura-se um pouco de ilusão e fantasia. Surgem palavras escritas na areia, pétalas de malmequer a voar. Lugares que inspiram, cheiros, paz. Os olhos são os únicos que não estão cansados ainda, de observar, e procuram cada recanto. Afastam-se segundos para pestanejar, voltam com mais força ainda continuando a sua pesquisa. Descobrem e presenciam tanto em tão pouco. Fazem-nos cair, ensinam-nos a ter atenção. Um dia acabaremos por aprender, tudo a seu tempo. É cedo. Afinal, o sol não fez ainda um ângulo de noventa graus.
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